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Curiosidades

Os encontros nas rodas de Choro e a pesquisa sobre o tema fazem com que o músico e demais interessados tomem conhecimento de histórias ligadas às composições e seus autores. Certas informações são importantes para a compreensão da obra, sua colocação no tempo e no espaço. Assim, esse conhecimento que vai além das notas da partitura pode ajudar o músico a melhor interpretar a obra e fazer também com que o público a compreenda mais facilmente.

Clique nos links e saiba curiosidades e informações sobre os Choros e seus compositores.

AUTORES
MÚSICAS
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01 - Pixinguinha Cinco companheiros
Ingênuo
Lamentos
Proezas de Solon
Vou vivendo

02 - Chiquinha Gonzaga


Gaúcho (Corta-Jaca)


03 - Ernesto Nazareth


Odeon


04 - Jacob do Bandolim


Doce de coco
Vibrações


05 - Waldir Azevedo


Delicado
Quitandinha


06 - Joaquim Callado


Flor amorosa


07 - André Vitor Correa


André de sapato novo



O Choro

O choro não é apenas um gênero musical tipicamente
brasileiro, mas sobretudo genuinamente carioca.
Nasceu no Rio de Janeiro aproximadamente na metade
do século XIX, a partir da polca, do tango brasileiro,
do lundu etc. Assim como o frevo e o maracatu são gêneros
regionais de Pernambuco, o fandango do Rio Grande do Sul,
o choro é a música regional carioca.

O primeiro choro editado como tal foi Flor Amorosa,
de Joaquim Antônio Callado, em 1876, muito embora essa
forma característica de executar as músicas já existisse
há algumas décadas.

Forma de expressão musical dos contingentes negros
e mestiços do Rio de Janeiro do século XIX, tem muita
similaridade com o jazz, pela necessidade da criatividade
permanente. Mas o choro é ainda mais antigo que o jazz,
nascido em Nova Orleans algumas décadas depois.



Alfredo da Rocha Viana - Pixinguinha (1898-1973)

Autor de Carinhoso e Lamentos, dentre as mais de
400 músicas de sua autoria, foi o responsável
pela modernização do choro. O que produziu a
partir da década de 20 pode ser considerado o
caminho do choro da atualidade e a base da nossa MPB.



Cinco companheiros (Pixinguinha)

Levou esse nome em homenagem aos colegas
do seu conjunto na época.



Ingênuo (Pixinguinha)

Segundo depoimento de Pixinguinha no Museu
da Imagem e do Som, era o seu choro favorito.



Lamentos (Pixinguinha)

Ao gravar esse choro com o seu conjunto Oito Batutas na década de 20, Pixinguinha foi acusado pela crítica de estar "jazzificando" o choro.

Altamiro Carrilho conta em um vídeo que, quando Pixinguinha retornou de diversas apresentações de sucesso na França, foi homenageado com um jantar em um famoso hotel em Copacabana. O gerente ordenou que todos do grupo, inclusive Pixinguinha, entrassem pelos fundos, pois eram negros. Quando descobrira o acontecido, repreenderam o gerente, que não sabia que se tratava do famoso grupo de Pixinguinha. Arrependido, o gerente pediu desculpas diversas vezes, enquanto Pixinguinha dizia apenas "lamento". Então, sugeriram a ele que compusesse um choro com esse nome.



Proezas de Solon (Pixinguinha)

A música foi dedicada a um dentista,
amigo de Pixinguinha, que teria esse nome.



Vou vivendo (Pixinguinha e Benedito Lacerda)

Foi composta enquanto ele convalescia em um hospital.
A qualquer pessoa que durante a visita perguntava
sobre seu estado de saúde, ele respondia "vou vivendo".
Esse período também rendeu a produção de mais três
ou quatro choros.



Chiquinha Gonzaga (1847-1935)

Pianista e maestrina, é autora de inúmeras peças, principalmente para o teatro, meio em que popularizou o maxixe. Foi batalhadora pela abolição dos escravos e em favor dos direitos das mulheres. Preocupada com a exploração sofrida pelos artistas, criou a primeira Sociedade Arrecadadora de Direitos Autorais do país (SBAT).



Gaúcho corta-jaca (Chiquinha Gonzaga)

Conhecido como Corta-jaca, como foi denominado em peça teatral da época, serviu para popularizar a dança do maxixe. Com o sucesso, Chiquinha foi inclusive a uma recepção no Palácio Presidencial, o que representou um escândalo para a época. Ela era grande amiga de Nayr de Teffé, primeira dama do país.



Ernesto Nazareth (1863-1934)

Pianista e de formação erudita, possui choros antológicos, com estrutura rebuscada e conotação de música clássica. Foi o responsável pela popularização do Tango Brasileiro (tanguinho).



Odeon (Ernesto Nazareth)

A música foi dedicada ao cinema Odeon, à época situado na altura do número 131 da Av. Rio Branco (esquina da Rua 7 de setembro), onde Nazereth execeu a função de pianeiro, tocando durante a exibição dos filmes mudos e nas salas de espera do cinema. Nessas horas, ele aproveitava para vender as partituras das suas músicas e conseguia levar o choro à elite carioca.



Jacob Bittencourt - Jacob do Bandolim (1918-1969)

Bandolinista exímio e compositor de choros famosos, foi o responsável pela popularização do bandolim como instrumento solista. Foi dele a ideia do formato atual do bandolim, mais sonoro e expressivo.



Doce de coco (Jacob do Bandolim)

Recebeu esse nome em homenagem ao doce de que ele mais gostava.



Vibrações (Jacob do Bandolim)
Último sucesso gravado por Jacob. Este choro foi composto enquanto ele aguardava o conserto do seu fusca em uma oficina mecânica em Jacarepaguá. A partitura foi entregue a um amigo, com a recomendação de que estudasse o acompanhamento para tocarem à tarde. Após a execução da música, o amigo foi quem lhe deu o nome, emocionado pelas "vibrações" espirituais que sentiu.



Waldir Azevedo (1923-1980)

Autor de Brasileirinho e Delicado, é o recordista de venda de discos exclusivamente instrumentais no Brasil. Ajudou a popularizar o cavaquinho como instrumento solista. Seu baião Delicado recebeu diversas gravações fora do país.



Delicado (Waldir Azevedo)

Foi o maior sucessso de vendas de Waldir Azevedo. Em 1980, durante um congresso espírita em São Paulo, afirmou emocionado que esta música não era dele. Disse que lhe foi inspirada em um sonho, numa época em que atravessava dificuldades financeiras.



Quitandinha (Waldir Azevedo)

Recebeu esse nome em homenagem ao cassino inaugurado em Petrópolis, pouco antes da lei de proibição do jogo no Brasil.



Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880)

Flautista consagrado, foi autor de inúmeras músicas e criador do primeiro conjunto de choro, com formação básica usada até hoje com ligeiras mudanças.



Flor amorosa (Joaquim Callado)

Foi o primeiro choro editado com esta denominação, em 1876. Os maledicentes históricos afirmam que a "flor amorosa" de Callado seria a Chiquinha Gonzaga.



André de sapato novo (André Vitor Correa - 1888-1948)

A música tem longas pausas que diziam ser o tempo necessário para o autor aliviar o incômodo provocado por seu sapato novo.

 

 

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